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domingo, 24 de maio de 2009

O ladrão de estrelas

A noite era escura. Tão escura quanto uma noite poderia ser, se não fossem pelos pequenos pontos luminosos, por nós chamados de estrelas, que brilhavam em seu manto negro. Eram lindos. Especialmente quando vistos através das janelas fechadas de seu quarto fechado.
Durante os dias, ele dormia profundamente. Mas, quando o sol se punha, sentava-se diante do vidro e olhava para o céu durante a noite inteira. Dia após dia, ele dormia e noite após noite, ele sonhava acordado.
Observara as estrelas durante tanto tempo a fio, que já as conhecia de cor. Conhecia-as de tal maneira, que havia até mesmo nomeado algumas delas: alguns dos seus pontos luminosos, como gostava de as chamar. E todas as noites o menino velava por eles. E todas as noites os seus pontos lhe lançavam um brilho especial, cada vez mais intenso.
Admirado, o menino resolveu pegar um deles para si. Encorajou-se durante noites, e a cada noite que ele não realizava seu desejo, os pontos brilhavam mais e mais, como se estivessem prestes a explodir. Brilhando, os pontos urravam para que ele os tomasse, e sonhando o menino implorava para que um dia tivesse coragem de ir ao seu encontro.
Ensaiou-se, e de repente, num surto de coragem, quebrou a janela do seu quarto e jogou-se janela abaixo, sem se importar com a altura por ele desconhecida. Ficou surpreso: Não caia, voava! Não chorava, sorria! Não temia, deleitava-se. Aproveitou a liberdade no céu noturno durante algumas horas, observou seus pontos de perto. Cheirou-os. Acariciou-os. Abraçou-os, e, então, sorrateiro como uma sombra, pegou um e escondeu sob sua camiseta, rente ao peito.
O objeto brilhava intensamente! Brilhava tanto, que quem o vira passando naquela noite poderia jurar que havia visto um anjo de coração dourado! Amou tanto aquele ponto, que decidiu guardá-lo para sempre junto de seu coração e, juntos, ambos brilhavam: Estrela e coração. Não havia mais como separá-los. Não sabia o que era, mas sabia que seu desejo de possuí-lo era maior do que sua própria razão. Já não era mais um desejo, era uma necessidade torturante! E assim, todas as noites, nosso pequeno ladrão de estrelas continua adicionando mais um ponto brilhante à sua coleção... Dentro do seu coração.

Foto por: Tuane Eggers

*1° lugar na categoria contos, no concurso literário Novos talentos - Escritos e Escritores II, promovido pela Alivat - Lajeado/RS


8 comentários:

t. disse...

Que lindo.
Pontos de luz nos fazem melhor.
Se estiverem do lado de dentro.

Jean MIchel Valandro disse...

Sintam inveja, pessoas...
Eu vi o texto em primeira mão, hsuahsaus
Muito perfeito, né??

Vívian disse...

nossa muito bom quanto mais eu lia mais queria saber o que iria acontecer ....

ps: escritor te adoro^^

Vero disse...

Fantástico...
Sútil, delicado.

Obrigada por nos lembrar que às vezes precisamos pular das janelas de nossos quartos :)

/sartori.vinicius disse...

Muito bom!
Acaba no momento certo, em que ficamos com vontade de que a história continue.

Você é um ótimo escritor, parabéns.

karinny disse...

"Efêmera, mas não como um amor. Como um orgasmo. Era um campo tão fustigado; tão pisoteado que já não era nada, se não, terra infértil." ...E eu continuo pagando um pau pra isso. (L

Vanessa disse...

é o meu favorito até o momento

Fernanda disse...

A primeira coisa que fiz ao entrar aqui foi ler sobre você.Nada poderia ser melhor com o que os meus olhos contentes se depararam...
Sinceramnete,acho incrível a forma como você escreve,os sentimentos depositados em cada conto,poema e principalmente a essência DESTE conto!Incrível!Esse conto foi um reflexo do mais lindo brilhante do teu coração o dom de escrever.É maravilhoso você compartilhar este dom de escrever com outras pessoas,cada brilhante desejado,conquistado e adquirido nos engrandece confortando assim nosso coração!
Velho amigo Barndão,vai em frente,você tem todos os brilhantes para uma carreira incrível no mundo das letras!Desejo a ti muito sucesso com um caminho brilhante pela frente,sempre!
Já conquistou duas leitoras:eu e minha mãe!Ela te parabeniza.
SUCESSO,e sinta-se um grande escritor!
Saudades imensas

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