BlogBlogs.Com.Br

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Crack! Pude ouvir o racho do meu coração.
Não era o primeiro, portanto, o som não me foi tão perturbador como outrora fora. Me preocupava apenas um único fato: Já havia escutado tantos rachos como aquele, que me espantava o tamanho de meu coração. Como era possível haver tanto para quebrar?
Pensei que talvez os danos já estivessem se alastrando por minha alma; talvez eu estivesse quebrando inteiro.
Seria possível um homem ser tão despedaçado ao ponto de transformar-se em pó?
“Não seria tão ruim ser pó” – Pensei – “Eu seria leve. Sutil, até. Eu poderia me separar em tantos pedaços, que não custaria a ninguém manter uma parte de mim junto de si!”.
Somos sempre tão espaçosos! Queremos mais e mais! Queremos ocupar até mesmo os lugares que não são nossos. Se fossemos um jogo como aqueles que as crianças utilizam para desenvolver o raciocínio, onde elas tem que encaixar a forma certa no lugar certo, seríamos a estrela que se recusa a sair do lugar do quadrado. Pensando bem, talvez sejamos a criança teimosa que insiste em colocar a forma errada no lugar errado.
Crianças ou estrelas, somos contrários e contrariados; pelo menos eu sou. Mas, se eu virasse pó, a forma não seria mais problema. Pó é pó em qualquer lugar; é, inclusive, muito mais autônomo! Ninguém diz que o pó tem forma de estrela, mas sim, que a estrela está cheia de pó. É como não ser nada, mas guardar em si a capacidade para tornar-se tudo.
Se pensarmos bem, deve ser até gostoso ser reduzido a esse nada que, ao mesmo tempo, é tudo. Seríamos leves o bastante para sermos livres. Voaríamos com o vento!
Chega a ser irônico. Se eu fosse pó, eu seria tão grande que estaria em todos os lugares. Deixaria um pedacinho mínimo de mim em cada lugar do mundo. O resto dividiria entre as pessoas. Seria tão enorme que as pessoas sequer perceberiam.
“Isso explicaria muita coisa. Sofremos tantos danos ao longo de nossa vida, que penso que seja essa a sua função: Lapidar-nos assim como o mar transforma as rochas em areia.” – Pensava eu enquanto me desfazia da cabeça aos pés. Eu sumi. Sumi como poeira ao vento perdida na cidade.


Foto por: Tuane Eggers

19 comentários:

FAGGH® disse...

nuss... muito bom o blog ....seguindo

www.celebritypoke.blogspot.com

passa lá no meu
abrç

www.celebritypoke.blogspot.com

Rosangela A. Santos disse...

Pensamentos e reflecção .. ficou ótimo .. parabéns!!

Abç.

PanPum Flûor disse...

caraleo, ficou fantastico
muito bom msmo,

parabens e sucesso o/

FAGGH® disse...

passando mais uma vez no seu blog !
abrç

www.celebritypoke.blogspot.com

geralidadesdavida.net disse...

Lições da vida. Você escreve bem.
Muito bom!

Bananada é 10 disse...

belo texto

curie mt

abraços

Jean MIchel Valandro disse...

A nova versão de Maanuel Bandeira... pelo menos escreves com o mesmo tom melancólico nos textos.

Mas como sempre, texto ótimo, às vezes tbm tenho esse pensamento. Seria bem mais fácil, mas com certeza, a vida meio que perderia a graça, pq sendo pó nos privaríamos de muitas experiências que os humanos vivem.

Abração, e obrigado por nos presentear com teus textos 'guli' XD

Rosangela A. Santos disse...

Olha eu de novo marcando presença...

Abç.

FAGGH® disse...

novamente aki no seu blog , para deixar um recado aew
abrç

www.celebritypoke.blogspot.com

bruno disse...

Gostei muito de seus textos. Sua escrita realmente envolve a quem a lê, é uma leitura muito agradável msm.

Abraços!

Bela Salazar disse...

Eu me perdi nesse universo de palavras, mas me perdi de forma boa... Mergulhei nos seus pensamentos de forma tão íntima que preciso pedir desculpas! Amei seu blog, de verdade, o que eu pude ver... Foi fantástico (não tô exagerando), eu escrevo coisas desse estilo também... Se ficar curioso, vai lá no www.keep-save.blogspot.com :)
Voltarei sempre, beijo, sucesso pra ti

deborah disse...

nossa.. tu escreve com a alma meninoo..
estarei sempre passando por aqui, você é uma lição de vida!
com apenas 17 anos já consegue mexer com as pessoas, imagina daqui uns 40 anos então.
Já é um grande escritor.
parabêns..
beijo

Nightfolk disse...

Texto ótimo, tragicamente inebriante, que seduz os leitores mais fugazes, adorei, parabéns!

Astréia disse...

Olá Leonardo! Eu concordo com tudo que Debora falou acima...

Parabéns! Quero te seguir mas não estou conseguindo!

Abraço!

Giovanna Cóppola disse...

Leonardo, vi o link para o seu blog em uma comunidade no Orkut e vim dar uma olhada, tem muita coisa bacana aqui. Vou adicioná-lo aos favoritos e visitá-lo mais vezes. ;)

Priscila L. V. Broenstrup disse...

Demaisss!!!
Adorei seu texto.
O resumiria em criativo, inteligente, cativante.
Gostei mt dos seus outros "escritos".
Voltarei mais vezes.
Abraço

Anônimo disse...

Não pensei que depois de alguns anos te "reencontraria", e não imaginava que depois de te reencontrar tu teria mudado tanto. Mudanças pra melhor! Tu é ótimo escritor assim como deve ser um belo profe! Parabéns Leo =)

Anônimo disse...

\oo/ liiindoo
so tua fãã, parabééns és um artista nato!!
Beeijos professor qerido =D

Kira. disse...

Gente, como pode ser tão maravilhoso assim? Não consigo parar de ler e principalmente de me encantar.

Postar um comentário