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domingo, 18 de setembro de 2011

O estupro.

Eles dizem:
- Calma!
Eu calo.
Quando ela arranha-me o peito, nada me resta além do grito.
Quando ninguém está lá, ela aparece.
Já não tenho medo:
Jogo-me na cama, abro as pernas e convido-lhe a entrar.
Dilacera-me como aqueles abutres
Queima, chama, me ama.
- Solidão.

Foto por: Tuane Eggers

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um Éden.


Mantenho os olhos voltados para cima para ter certeza de que tu me acompanhas.



Talvez me considere um herege, mas para mim o paraíso é um lugar onde os cigarros brotam como flores e o sangue bendito de Cristo rega os verdes campos como uma tempestade.
Eu nunca entendi os anjos, mas soube que nas noites de festa eles dançam mais ou menos como eu (Nesse meio tempo, me pergunto se algum dia eles já me assistiram dançar – Eu acho que não.).
Bato na porta:



- Ei! Tem alguém aí?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

(Silêncio)



Entrecortado pelo nada de teu silêncio,
Silencio.
Balbucio palavras sem sentido
Mato os gritos que não fazes questão de escutar.
Corto o ritmo,
Quebro o tempo:
O teu silêncio.

Foto por: Tuane Eggers

terça-feira, 17 de maio de 2011

Na terra dos meninos-poema, eu.



Esquece o tempo, querido!
Esquece os relógios que nada mais eram do que inúteis maquinarias humanas:
Pretérito imperfeito!
Escuta a musicalidade metafísica da realidade que o cerca,
Toca-lhe num orgasmo puramente tátil;
Numa sinestesia de mil cores.
Aprecia o sabor inédito
E sorve nos lábios as delícias desta nova terra.

Você pode sentir este cheiro?
Você realmente pode sentir este cheiro? Guarda-o contigo, então.

Os peixes nadam pelas ruas,
As borboletas voam pelo chão.
Recebe este fluxo desconstrutivista,
Reconstrói a alma e toma teu rumo.

Foto por: Tuane Eggers

domingo, 15 de maio de 2011

Sobre seios.

Seios rijos, belos, excitantes:
Tesouro maior de um sexo frágil, fácil e sereno.
Prostitutas (mulheres) são belas apenas na moldura de uma cama.

Seios expostos e apontados como canhões.
Armas brancas rendem o mundo a sua vontade.
Algozes sedutores mais mortais que mil adagas.

Seios caídos, fracos, oprimidos.
Violentados pelo tempo cruel
Que lhes desfalece, sulca e enverga-os em direção ao solo.
Pobres vítimas de ponteiros simples e insensatos.

Foto por: Tuane Eggers

domingo, 3 de abril de 2011

Eu não

Eu não tenho direitos, desejos,
Nem qualquer motivação específica.
Não tenho no peito teu jeito,
Nem tu tens no seio minha vida.
Não posso, não devo, não nego.
Não quero razão,
Mas hoje eu queria te ter.

Foto por: Tuane Eggers

sábado, 1 de janeiro de 2011

Pedido

Há anos ela não existia
E agora me fita, macabra!
Se a porta está fechada, por favor, não abra.

Foto por: Tuane Eggers